O caminho rumo à inclusão e à garantia de direitos ganhou um capítulo de celebração recente no Piauí. Edson Neto, de 25 anos, que convive com paralisia cerebral severa, concluiu sua graduação no curso de Administração pelo Instituto Federal do Piauí (IFPI). O jovem, que contou com o suporte do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE), tornou-se um dos pioneiros com deficiência a participar desse curso na instituição.
Essa conquista coroa uma jornada iniciada anos antes por sua mãe, a pedagoga Gilmara Costa. Determinada a compreender e defender as prerrogativas das pessoas com deficiência, Gilmara decidiu cursar Direito em uma faculdade particular de Teresina. Sem rede de apoio para deixar o filho, a solução foi levá-lo diariamente para a sala de aula. Durante dezoito meses e ao longo de cinco anos, ambos compartilharam a rotina acadêmica, uma vivência que fortaleceu o entendimento de Gilmara sobre a viabilidade da inclusão social.
A história de dedicação começou muito antes, em 2001. Aos 18 anos, após ter enfrentado a perda de uma primeira gravidez aos 16, Gilmara deu à luz Edson Neto em um parto delicado, no qual o bebê nasceu com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Diante da demora em atingir marcos do desenvolvimento, como sentar aos seis meses, o diagnóstico de paralisia cerebral foi confirmado.
Na época, as previsões médicas eram desanimadoras. Uma profissional de saúde chegou a estimar que o menino não sobreviveria além dos dois ou três anos de idade, além de afirmar que ele jamais se sentaria ou caminharia. “A médica disse que ele só viveria até os dois anos e que jamais caminharia ou sentaria. Mas só Deus tem o poder de determinar o tempo de vida de cada um. Hoje, meu filho está com 25 anos, continua vivo e é muito inteligente”, celebra a mãe.
Logo após receber o diagnóstico, ainda impactada, a mãe vivenciou um momento marcante ao retornar para casa. Um vendedor ambulante, sem saber das condições de saúde do bebê, perguntou o nome dele. Ao ouvir “Edson Neto”, o camelô comentou: “Nome forte, será um batalhador pela vida”. O episódio foi interpretado por Gilmara como uma mensagem de esperança e fé, motivando-a a focar integralmente nos cuidados do filho.
O caso de Gilmara reflete a realidade de milhares de brasileiras que vivenciam a maternidade atípica. Dados do IBGE indicam que o Brasil possui cerca de 16,8 milhões de cidadãos com deficiência (7,3% da população a partir de dois anos). Além disso, a responsabilidade pelo cuidado ainda é centralizada nas mulheres: um levantamento do Datafolha de 2024 revela que 69% da população brasileira aponta as mães como as principais cuidadoras dos recém-nascidos.